há 3 meses

Dessecação pré-colheita do trigo apresenta vantagens, mas exige alguns cuidados

Dessecação pré-colheita do trigo apresenta vantagens, mas exige alguns cuidados

Prática bastante comum e utilizada por muitos produtores, a dessecação pré-colheita do trigo consiste na utilização de um herbicida para acelerar o processo de secagem das plantas. Essa antecipação da colheita, conforme explica o engenheiro agrônomo Lucas Bonamigo, associado da Unitec, apresenta a vantagem de acelerar a colheita do cereal, diminuindo sua exposição às intempéries climáticas e também permite antecipar a implantação da cultura da soja na lavoura.

O profissional revela que a prática ainda facilita o processo de colheita do trigo por promover uniformização da lavoura. “Geralmente os produtores utilizam esta técnica buscando antecipar em alguns dias a colheita, uniformizar a lavoura e controlar plantas daninhas. Por exemplo, em casos onde há presença de buva (Conyza bonariensis) na lavoura, a planta daninha seria cortada no processo de colheita e posteriormente voltaria a ser um problema na cultura da soja. E a prática de dessecação do trigo faz com que essas plantas daninhas sejam controladas.”

Bonamigo destaca que é essencial acertar o momento de aplicação do herbicida, pois caso seja aplicado prematuramente, os grãos perderão qualidade, peso e poder germinativo. Segundo ele, o ponto de aplicação do herbicida é quando os grãos apresentam cor dourada para marrom, com textura pastosa dura. “O fato de ser essencial acertar o momento de dessecação torna perigosa a prática de dessecar a lavoura, podendo gerar perda de produtividade maior do que os benefícios obtidos”, acrescenta.

De acordo com o engenheiro agrônomo, atualmente somente produtos que utilizam o princípio ativo Glufosinato de Amônio apresentam registro para dessecação de trigo. “Para obter o registro que permite sua utilização, foi comprovado que a prática realizada com este produto não deixa resíduos químicos nocivos à saúde. No passado, herbicidas que utilizavam o princípio ativo Paraquate eram utilizados com grande eficiência nesta prática. Entretanto, estudos levaram à proibição da prática com este herbicida, que posteriormente foi retirado do mercado.”

Sobre a possibilidade de a prática interferir na qualidade do trigo ou oferecer algum malefício para quem irá consumir o grão posteriormente, Bonamigo esclarece que a dessecação pode afetar a qualidade industrial do trigo quando realizada precocemente, devido a parada brusca na maturação da cultura antes dos grãos estarem maduros.

“Caso a dessecação seja realizada com produtos não recomendados, o produto utilizado pode deixar resíduos químicos nos grãos, afetando, assim, a qualidade dos produtos finais e apresentando potencial risco à saúde dos consumidores”, comenta.

O profissional conclui que a dessecação da cultura do trigo é uma prática bastante técnica, que requer análise da situação da lavoura em questão, da organização dos manejos culturais da propriedade e produto específico para este fim. “Consulte sempre um engenheiro agrônomo ou técnico agrícola para indicar a necessidade e orientar sobre esta prática.”

Bonamigo é engenheiro agrônomo formado pela Sociedade Educacional Três de Maio (Setrem) e associado da Unitec. Três-maiense e atualmente residindo em Júlio de Castilhos, é produtor rural e atua como consultor técnico nas culturas de grãos e pastagens.
 

Texto: Assessoria de comunicação Unitec
Jaqueline Peripolli / Jornalista MTE 16.999
Fotos: Divulgação


há 3 meses

Preservando a produção e a qualidade do leite

Preservando a produção e a qualidade do leite

Os produtores de leite já conhecem as consequências que os dias mais quentes provocam no rebanho leiteiro e, consequentemente, na produção e na qualidade do leite produzido.

Aliás, existem várias características influenciadoras que favorecem a queda da qualidade do leite no período da primavera/verão. A afirmação é do médico veterinário Orlando Luiz Maciel Bohrer, associado da Unitec.

O profissional explica que os períodos mais quentes começam na primavera, em setembro, aumentando até o pico no verão, em dezembro e janeiro, e desfavorecem a produção e a qualidade do leite, especialmente porque se tem, nos rebanhos, a predominância de das raças Jersey e Holandesa, que são, por origem, descendentes de climas temperados a frio, características que não se perderam.

Bohrer destaca que, nesta época, há muitas vacas paridas do outono/inverno, aumentando o número de vacas em produção e que logo estarão com a lactação adiantada e no verão em fim de lactação.

“Devido a isso, neste período, há uma tendência de as vacas perderem o conforto, se alimentarem menos, ingerirem mais água para perder calor e buscarem mais a sombra. Temos, portanto, uma situação estressante para os animais. Ao ingerirem menos alimentos, elas estão sujeitas à quedas de resistência orgânica e aumento de enfermidades, somando a isso a queda na produção de gordura e proteína.”

O associado da Unitec acrescenta que este período mais quente também favorece as infecções bacterianas, principalmente se ocorrerem chuvas frequentes e as vacas em lactação permanecerem em locais úmidos, sujos e contaminados.

“Ainda, há fatores que desfavorecem a qualidade do leite no que diz respeito à higiene da ordenha, a limpeza de úbere mal feita e as práticas mal conduzidas, como a má limpeza e desinfecção da ordenhadeira, em especial as teteiras (insufladores) velhas e vencidas, que acumulam sujeiras e favorecem o aumento das mamites subclínicas e clínicas, aumentando as células somáticas e, por consequência, descontos no preço do leite e infecções que requerem descarte de leite e custos de tratamento. São situações de extremo prejuízo para a propriedade rural”, enfatiza.

O que o produtor pode fazer para amenizar os problemas decorrentes dos fatores adversos?
A fim do produtor se preservar quanto às perdas no período, o médico veterinário ressalta que, em primeiro lugar, não se pode descuidar do conforto dos animais, em especial das vacas em lactação, que são o carro-chefe da renda da propriedade.

“É importante identificar as melhores opções para conforto, como sombra e água disponível sempre perto, alimentação em pastoreio ou em cochos, de forma que favoreça a vaca e a diminuição do estresse, como pastoreio à noite e alimentação em cochos durante o dia na sombra. Além disso, direcionamento em locais de pousio limpos e secos, que favoreçam a higiene do úbere, e a não contaminação por ‘sugidades’, como lama, esterco e os locais úmidos, são fundamentais”, explica.

Ele também esclarece que é fundamental nunca abrir mão de rações e minerais de qualidade. “Isso é resistência orgânica, defesa, assim como pastagens e silagens de qualidade, ou seja, sem fungos e bolores. Estabelecer imediatamente higiene impecável do úbere e a desinfecção dos tetos pré e pós ordenha eficiente e limpeza da ordenhadeira com produtos de qualidade e teteiras novas, de maneira a ter uma eficiente ordenha, é fundamental.”

Bohrer diz, ainda, que é necessário fazer o CMT (Califórnia Mastite Teste), periodicamente, para identificar vacas com possíveis mastites subclínicas. “Este teste avalia células somáticas, não as conta, mas é importantíssimo para identificar possíveis agressões do úbere por contaminação bacteriana.”

O profissional também recomenda a avaliação das vacas em adiantada lactação, com elevada Contagem de Células Somáticas (CCS) e passíveis de secagem. “Aconselho utilizar produtos de qualidade para a limpeza da ordenhadeira e higiene do úbere e manejo geral, de maneira a ter menos de 100 mil de Contagem Bacteriana Total (CBT) e menos de 300 mil de Contagem de Células Somáticas (CCS), e, com isso, ganhar premiação por qualidade. O produtor necessita fazer a manutenção da ordenhadeira para evitar falhas na retirada do leite e contaminações do úbere das vacas”, finaliza.

Associado da Unitec há 22 anos, Orlando é médico veterinário, pós-graduado em Sanidade Animal e Educação Ambiental e especialista em Nutrição de Ruminantes. Atuou profissionalmente durante 15 anos em cooperativas de produção nas áreas de bovinocultura de leite e de corte. Também atuou como professor na Unijuí, por três anos, e como profissional autônomo nos últimos 27 anos no Senar-RS e na assistência a propriedades rurais leiteiras e de corte no Estado do Rio Grande do Sul.
 

Texto: Assessoria de comunicação Unitec
Jaqueline Peripolli / Jornalista MTE 16.999
Foto: Divulgação