Toda história de 30 anos começa com uma decisão.
No caso da UNITEC, a decisão foi tomada em meio a um cenário de incertezas. Em 1996, 28 profissionais que atuavam na área técnica da Cotrimaio decidiram criar uma cooperativa de trabalho para continuar oferecendo seus serviços de forma autônoma e coletiva.
Três décadas depois, alguns dos profissionais que participaram daquele primeiro passo continuam ligados à UNITEC e puderam reencontrar colegas, recordar os primeiros anos e celebrar os frutos daquela escolha durante o jantar de 30 anos da cooperativa, realizado no último sábado (15), em Três de Maio.
Entre eles estava Denilso Rosalvo Zanon, primeiro presidente da UNITEC. Para ele, o resultado alcançado confirma o caráter pioneiro da decisão tomada pelo grupo.
“Isso reforça a ideia de pioneirismo, a coragem de desbravar, de criar outras histórias.”
Denilso conta que acreditava que a cooperativa poderia ter êxito, mas admite que o crescimento alcançado superou as expectativas.
Hoje, olhando para os próximos 30 anos, ele aponta valores que considera fundamentais para a continuidade da história: seriedade, honestidade, lealdade e compromisso com as pessoas.
“É isso que vai fazer a UNITEC prosperar por mais 30, 50 anos: inovando, melhorando e ajudando as pessoas e os seus associados.”
Os primeiros passos
Ari Luiz Benedetti, segundo presidente da UNITEC, também acompanhou de perto os primeiros anos da cooperativa.
Quando assumiu a presidência, o grupo ainda era pequeno. Segundo ele, havia a expectativa de chegar a 70 ou 100 associados. A realidade foi muito além.
“Não imaginava esse número que nós temos hoje. Realmente foi além da expectativa”, relembra.
Para Benedetti, o crescimento é resultado da dedicação dos associados e da seriedade na prestação dos serviços.
“A dedicação de cada um, a seriedade da própria empresa e de cada associado, por isso que ainda nós estamos no mercado.”
Mas a história não foi construída apenas por números. Para ele, a UNITEC também representa uma família profissional formada ao longo das décadas.
“Nós criamos nossos filhos, fizemos amigos, companheiros de luta. É gratificante fazer parte da família UNITEC.”
Uma semente que deu frutos
Fábio José Turra, também sócio-fundador e ex-presidente da cooperativa, resume a trajetória a partir da imagem de uma semente.
“É muito gratificante saber que a gente começou nessa semente que é a UNITEC e hoje os frutos estamos colhendo.”
Fábio esteve à frente da cooperativa no período de transição entre a longa gestão de Marcelino Colla e a chegada de Izabel à presidência. Em 2023, assumiu a presidência durante o processo de sucessão, antes de Izabel assumir a gestão para o triênio seguinte.
O desejo deixado por ele para o futuro é simples: crescimento, novos profissionais e vida longa à cooperativa.
Uma trajetória feita de continuidade
José Álvaro Pacheco, sócio-fundador e ex-presidente, ocupou a presidência na quarta gestão da UNITEC, entre 2010 e 2012.
Para ele, completar 30 anos representa a consolidação de uma história institucional construída sobre confiança, criatividade e segurança.
“Trinta anos já é uma história institucionalizada.”
Pacheco também chama atenção para um dos desafios que considera fundamentais para os próximos anos: a sucessão.
Segundo ele, a continuidade depende da preparação de novas pessoas para assumir responsabilidades e conduzir a cooperativa.
“Nós precisamos de novas pessoas para fazer a gestão da cooperativa, para a continuidade.”
Essa preocupação com a sucessão já fazia parte das discussões da entidade em anos anteriores, quando Pacheco destacava a importância de mesclar integrantes experientes da diretoria com novos associados.
Vinte anos à frente da cooperativa
Entre todos os ex-presidentes, a trajetória de Marcelino Colla ocupa um capítulo particularmente extenso.
Sócio-fundador, engenheiro agrônomo e liderança cooperativista, Colla esteve à frente da UNITEC durante 20 anos, divididos em oito gestões: quatro consecutivas entre 2000 e 2006 e outras quatro entre 2012 e 2023.
Na celebração dos 30 anos, ele resumiu o sentimento de quem ajudou a construir essa história:
“Passei 30 anos de história e poder fazer parte dessa história é motivo de muita emoção.”
Para Colla, o maior significado da trajetória está nas pessoas e na capacidade de levar conhecimento e informação aos agricultores.
“É uma história que merece êxito porque levou o nome de Três de Maio para toda a nossa região, para todo o nosso Estado”, afirmou.
A tecnologia também apareceu em sua reflexão sobre o futuro. Quando a UNITEC foi criada, conceitos como drones na agricultura, agricultura de precisão e inteligência artificial ainda não faziam parte da realidade dos profissionais.
Hoje, segundo ele, os desafios são outros — e exigem que a cooperativa continue acompanhando as transformações do setor e levando conhecimento aos produtores.
A trajetória de Colla na presidência terminou em 2023, quando assumiu a vice-presidência da Sicredi Noroeste RS/MG.
Trinta anos e uma história que continua
Paulo Renato Prauchner, também integrante do grupo de fundadores, resume a sensação de quem olha para trás e percebe a dimensão da escolha feita em 1996.
“A gente não imaginava quando fundamos a UNITEC toda essa história.”
Para ele, o fato de tantos profissionais terem permanecido unidos em torno do mesmo objetivo demonstra que a decisão tomada pelo grupo produziu frutos.
E essa ideia aparece também na fala de Paulo André Klarmann, outro dos fundadores, que destaca o orgulho de ter participado da construção da cooperativa e de ter acompanhado sua transformação.
Segundo ele, a UNITEC nasceu com 28 colegas e hoje reúne mais de 200 associados, tornando-se uma referência que ultrapassou os limites do município.
O olhar para o futuro, para Klarmann, passa pela capacidade de evoluir junto com o mundo e com o campo.
A memória que permanece
A atual presidente, Izabel Cristina Dalemolle, também faz parte do grupo de fundadores. Em 2026, tornou-se a primeira mulher a ocupar a presidência da UNITEC, dando continuidade ao processo sucessório construído pela cooperativa.
Na noite dos 30 anos, ao olhar para os colegas que participaram daquela história, ela resumiu a emoção em uma imagem simples: os cabelos brancos de quem envelheceu junto com a cooperativa.
“Eu olhei os cabelos brancos dos meus companheiros, dos meus colegas. Se passaram 30 anos.”
A fala traduz uma das características mais marcantes da trajetória da UNITEC: a permanência das relações.
Alguns fundadores seguiram como associados. Outros ocuparam cargos de liderança. Outros passaram a contribuir em diferentes instituições. Mas a história construída naquele grupo de 28 profissionais permanece como base da cooperativa.
E talvez seja justamente por isso que, três décadas depois, a palavra que mais aparece quando eles falam sobre a UNITEC não seja crescimento.
É continuidade.
Josiane Pimentel | Jornalista | MTB 13678/RS